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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Mensagem |
nasate
Registo: 18 Jun 2006 Mensagens: 32
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Colocada: Seg Ago 20, 2007 20:21 Assunto: Livro "A GUERRA DE BOBBY FISCHER" |
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Após a obtenção dos direitos para português na Feira do Livro de Frankfurt do ano transacto a Editora Temas e Debates acaba de lançar o excelente livro dos jornalistas ingleses David Edmonds e John Eidinow sobre o histórico match Fischer - Spassky.
De uma forma empolgante e baseada em documentos americanos e sovíéticos inéditos, os autores apresentam uma narrativa em que xadrez e política são temas centrais. Como refere Fischer em 1972, «este é um joguinho entre mim e Spassky; é um microcosmos da situação política mundial [...] a resolver [...] não com bombas, nas com peças de xadrez.
Após a apresentação das personagens e dos campeões mundiais de xadrez até 1969, surgem os 22 capítulos do livros, iniciados por excelentes citações. No final, completam o livro um apêndice, um pequeno glossário e uma completa bibliografia seleccionada.
Enfim, um enorme best-seller para os verdadeiros amantes do xadrez lerem e relerem neste fim de férias.
Já agora, os autores têm ainda um outro excelente livro sobre filosofia com o título "O Atiçador de Wittgenstein". |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 46
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Colocada: Qua Nov 14, 2007 0:16 Assunto: |
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Quase três meses após este post, ainda ninguém expressou uma opinião sobre a obra?
Bem, eu devo comprá-lo pelo Natal, depois talvez faça algumas considerações...
Até lá e boas leituras
António Castanheira |
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Xequemate Site Admin

Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 259 Local/Origem: Alpiarça/Santarém
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Colocada: Sex Nov 16, 2007 19:30 Assunto: |
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É um livro que mostra bem a paranoia do Fischer. Sabia que o homem tinha tanto de maluco como de génio do tabuleiro, mas não pensei que fosse tanto.
É uma outra perspectiva não técnica do match e que é interessante conhecer.
Só um comentário.
Se as coisas se passaram mesmo assim, comigo como arbitro o Fischer nunca tinha sido campeão mundial. Leiam o livro e comentem... |
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mind0
Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 17
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Colocada: Ter Dez 18, 2007 12:50 Assunto: eh.... |
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Este livro traz pouco de novo...
Apenas dois pontos relevantes para mim:
1. Algum detalha adicional sobre os pais de Fischer. A questão do pai continua a ficar em dúvida, mas fiquei com alguma admiração pela mãe
2. Se aumentou a minha admiração pela mãe de Fischer, diminui um pouco por Spassky. O livro conta que o campeão russo foi visto frequentemente embriagado durante o match, o que não atesta a sua imagem de "gentleman".
O meu comentário geral ao livro é:
eh... |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 46
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Colocada: Ter Jan 08, 2008 1:53 Assunto: |
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Julgo tratar-se de uma obra de leitura quase obrigatória para qualquer xadrezista mas que será, porventura, demasiado densa e específica para o público comum (o contrário é que seria de espantar).
Julgo que o principal interesse do livro é dar a conhecer melhor, fundamentalmente, as personalidades de Fischer e Spassky e o trajecto de ambos até ao confronto de 1972.
Não estando em causa a genialidade de Fischer, será forçoso concluir-se que ele acaba por se tornar campeão beneficiando da conjuntura furtuita de uma série de factores:
1º - Ser o representante de uma grande potência que, por arrastamento, representa socialmente e politicamente metade do mundo à época;
2º - A pressão dessa potência se exercer sobre um pequeno país (Islândia) sem grandes opções de escolhas financeiras, estratégicas e políticas;
3º - O match decorrer sob os auspícios de um Presidente da FIDE conciliador (Euwe) e de um árbitro (Lothar Shmid) que tudo faz para salvaguardar o espectaculo e a demonstração do génio xadrezístico, cedendo até ao limite a todos os caprichos, taras e birras de um e apenas um só dos jogadores;
4º - A existência do prémio monetário de Jim Slater (que mais tarde anunciará um prémio para o primeiro inglês que se torne GM, acabando este por ser Anthony Miles);
5º - O jogo psicológico e extra tabuleiro que Fischer exerce há anos, lançando suspeitas sobre os jogadores soviéticos, o que leva o espírito abnegado e empreendedor (também ingénuo) de Spassky a tentar vencê-lo no tabuleiro a todo o custo.
Como é referido no livro " Fischer é o rapaz mau que representa os bons e Spassky o rapaz bom que representa os maus"...
O livro confirmou e acentuou as minhas convicções sobre os dois jogadores:
Fischer um génio absoluto sem qualquer alma, uma demência latente que se mantém contida nos domínios racionais apenas enquanto se alimenta de vitórias.
Ao fim e ao cabo, uma história triste, um ser humano que se verga sob o peso do seu génio e da sua incapacidade mental para enfrentar o medo da derrota, perdendo quase totalmente o contacto com o mundo dos vivos.
Quanto a Spassky, sempre senti alguma desilusão pelo facto de ter acedido a participar no depressivo match de 1992 em Belgrado.
Contudo, agora mais do que nunca, tenho consciência de que terá sido dos campeões que mais mereceu esse estatuto!
A sua subida a pulso na carreira e na vida, a sua persistente luta ao longo de sucessivos e duros torneios de candidatos, o seu xadrez amplo, eficaz, positivo e espectacular que, afinal de contas, foi quem mais derrotas infligiu a Fischer e, acima de tudo:
- O seu percurso de luta silenciosa, dentro de um regime opressivo, para estabelecer um percurso só seu;
- O desportivismo, a classe e a grandeza de colocar um título mundial em jogo, mesmo perante as birras de um manipulador e contra as directivas dos seus compatriotas;
Sim, no fundo, é graças a Spassky que hoje podemos dizer que, um dia, Fischer foi campeão.
Foi graças a ele que ficámos a conhecer os limites da glória de um génio e o que acontece ao ser humano que o albergou, quando esse génio não encontra razão para existir...
Talvez por entender isso e também por tanto gostar de xadrez, Spassky tenha participado no match de Belgrado com alguém que considera seu amigo, alguém que o fez pedir a Bush clemência por ele ou, em alternativa, para os fecharem aos dois numa cela com um tabuleiro e peças!
Agora, mais do que nunca, sou capaz de apreciar e dar valor ao aperto de mão e ao autógrafo que Spassky me concedeu em Lisboa a 19-11-1999.
(Obrigado Boris!)
Em resumo, embora não traga grandes revelações, é um livro que vale a pena lêr: apesar das maçadoras descrições das discussões e reuniões sobre quebras de contratos e exigências financeiras ou outras, conversas entre políticos e burocratas, etc, é sempre possível descobrir, em quase todas as páginas, um ou outro facto curioso relacionado com xadrez.
Cumprimentos a todos e Bom Ano 2008
António Castanheira |
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lauras
Registo: 28 Mar 2008 Mensagens: 5
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