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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Mensagem |
Arlindo Rodrigues Vieira Site Admin
Registo: 09 Jan 2007 Mensagens: 10
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Colocada: Qui Nov 13, 2008 23:28 Assunto: XADREZ NO FEMININO e PARA A BIANCA JEREMIAS |
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Com as devidas distâncias, e correcções, embora sem tirar a nostalgia de mais de seis anos, republico este artigo sobre o xadrez feminino que escrevi no já longíquo ano de 2002 na primitiva Luso Xadrez.
Quero dedicá-lo à Bianca Jeremias que nem sequer conheço, mas que deveria estar neste momento em Dresden e não está apenas e só pelas “malhas que o Império tece”.
Voltamos ao xadrez no Feminino, depois daquela saudável polémica, aqui no Luso Xadrez, sobre o xadrez feminino ter razão ou não de existir independente de um xadrez total, sem sexos. Todos sabem a minha opinião: No xadrez não devem existir separação de sexos, mas isso já foi objecto de opiniões a favor ou contra, de diálogo, salutar no nosso grupo.
Depois todos sabem outro pormenor: Tenho imensa pena que dos 174 membros que fazem parte da nossa lista de Luso Xadrezistas, nem um seja uma mulher, se não estou enganado. Era óptimo, termos a sua opinião, as suas ideias, as suas contribuições, todavia por umas razões, ou outras, ou por razões que talvez só elas conheçam, não aderem ao nosso Grupo de discussão. Que muitas das principais jogadoras portuguesas saibam que ele existe, não duvido, que não se inscrevam, só elas poderão aduzir razões pertinentes. E até não é por acaso, que no nosso grupo, para além da citada «polémica», já aparecessem outros artigos sobre o xadrez feminino (Vera Menchik, entre outros) se bem me recordo, com fotos em anexo, partidas, e tudo, outros sobre Kosteniuk, o que vem provar que estes assuntos não são propriamente desinteressantes para a bancada masculina Luso Xadrezista.
Poderia assim dizer, que este artigo, era mais dirigido «Ás Luso Xadrezistas que não temos», mas que contamos vir a ter, se todos dermos a conhecer o nosso grupo, todavia para não ser acusado de sexista, digamos que é um artigo «all-around» com curiosidades, fotos em anexo, e uma surpresa grátis, para quem se interessar por estes temas. Digamos que uma certa anarquia vai reinar nestes escritos, digamos que informativos-didácticos, de uma pesquisa curiosa e apressada que fiz sobre o xadrez feminino e sua história. Ditos, partidas, nomes, e sobretudo… farão parte deste post. Comecemos então?!
A- Quem foram as campeãs mundiais de xadrez, desde que o título foi reconhecido, até aos nossos dias?
1.ª1927-1944-VERA MENCHIK-Stevenson (nascida na Checoslováquia)
2.ª 1950-1953- Ludmila RUDENKO (URSS)
3.ª 1953-1956- Elisaveta BYKOVA (URSS)
4.ª 1956-1958- Olga RUBTSOVA (URSS)
5.ª 1958-1962- Elisaveta BIKOVA (URSS)
6.ª 1962-1978- Nona GAPRINDASHVILI (URSS)
7.ª 1978-1991- Maya CHIBURDANIDZE (Rússia)
8.ª 1991-1993- XIE-JUN (China)
9.ª 1993-1996- Zsuzsa POLGAR (Hungria)
10.ª 1996-2000 -XIE JUN (China)
11.ª 2000-2001- XIE JUN (China)
12.ª 2001- ZHU CHEN (China)
13ª 2004 – ANTOANETA STEFANOVA ( Bulgária)
14 ª – 2006 – XU YUHUA ( China)
15ª – 2008 - ALEKSANDRA KOSTENIUK (Rússia)
Se de Vera Menchik, já apresentei algumas partidas para mostrar a sua força indesmentível de jogo, como jogariam outras jogadoras do passado, nomeadamente as campeãs do mundo até Chiburdanidze (já que a partir destas, as partidas abundam nas bases de dados)? Digamos que o nível de jogo destas jogadoras era bastante forte, quer no sentido estratégico, quer na visão táctica. Depois de analisar algumas das suas partidas, posso afirmar que salvaguardando as devidas proporções da evolução teórica do xadrez e a experiência adquirida, Rudenko, Bikova, Rubtsova, Gaprindashvili, não apresentavam uma força real de tabuleiro inferior às actuais, Zhukova, Stefanova, Kosteniuk, Krush, ou mesmo Zhu Chen. Longe sim, mas da Judith Polgar! Vejamos, com comentários de Kotov e Yudovich):
Mora, M – RUDENKO, L
Camp.Mundo Fem., 1950
1.e4 e5 2.Nf3 d6 A Philidor era uma abertura preferida de Rudenko) 3.d4 Nd7 4.Bc4 c6 5.dxe5 dxe5 6.0–0 Be7 7.Nc3 O plano das brancas é inconsistente com a troca de peões que fizeram ao 5.lance. Era preferível: [7.Ng5 Bxg5 8.Qh5 g6 9.Qxg5 Qxg5 10.Bxg5 e a vantagem se existe é microscópica. É evidente que depois de 7.Cg5 as negras não caem no erro de 7...Ch6, porque 8.Ce6, daria às brancas um ataque poderosíssimo] 7...Ngf6 8.Qe2 0–0 9.Rd1 Qc7 10.a3 A jogadora cubana joga sem plano. Melhor era 10.a4 procurando dificultar a iniciativa das negras no flanco de dama. 10...Nc5 11.b4? erro estratégico que só debilita o jogo branco, criando fraquezas difíceis de defender 11...Ne6 12.h3 mais um lance acidental, fortuito, jogado sem qualquer ideia. Melhor era 12.Bb2 12...b5 13.Bb3 a5! mostrando imediatamente toda a insipiência da estratégia branca 14.bxa5 Qxa5 15.Bb2 Qc7 16.Nb1 Nf4 17.Qe3 Ng6 18.Nc3 Nd7 19.Ne2 Nc5 20.Rd2 Na4! a ofensiva negra desenvolve-se com consistência lógica 21.Bxa4 Rxa4 22.Nc3 Ra8 23.Rad1 Be6 Rudenko, não cai no engodo fácil [23...Bxa3? 24.Nxb5!] 24.Rd3 as brancas não têm resposta satisfatória. O seu peão TD está irremediavelmente fraco 24...Nf4 25.R3d2 f6 um fino sentido da posição. Antes de lançar a ofensiva final no flanco de dama, as negras reforçam o centro. 26.Kh2 Ra7 27.Ne1 Rfa8 28.Nb1 Qa5 29.Nd3 Nxd3 30.Rxd3 [30.cxd3 c5 com grande vantagem] 30...Qa4 31.R3d2 Qc4 a excelente manobra da dama negra, testemunha a capacidade estratégica de Ludmila Rudenko.Depois da entrada da D em a2, torna-se inevitável a perda de material por parte das brancas 32.f3 Bc5 33.Qd3 Qa2 34.c3 Bc4 35.Qc2 Bb3 36.Rd8+ Bf8! e as brancas abandonam. O-1 A posição final é bonita, com a D negra em a2 estilo problema.Rudenko, jogou esta partida do princípio ao fim num estilo simples, mas poderoso.
BYKOVA, E – Tranmere, E
Camp.Mundial Fem., 1949
1.e4 c5 2.Nc3 Nc6 3.g3 g6 4.Bg2 Bg7 5.d3 d6 6.Nge2 Bd7 o início de uma manobra complexa que todavia não promete um jogo igual para as negras. 7.Be3 Nd4 8.h3 Qc8 9.Qd2 Rb8 10.g4 b5 uma das leis da estratégia xadrezística diz-nos que só se deve empreender operações activas no tabuleiro, quando tenhamos desenvolvido as nossaas peças. Qualquer dxesvio desta regra só é aceitavel, se for acompanhado de um profundo sentido da posição e um cálculo exacto dos perigos envolvidos nessa actividade. Aqui a prematura actividade das negras no flanco de dama é desaconselhada. Melhor seria o desenvolvimento das peças no flanco de rei 11.Ng3 b4 12.Nd1 Bc6 as negras não estão conscientes dos perigos latentes deste estilo de formação chigoriniana de ataque, por parte das brancas. Existe por parte da jogadora de pretas a ideia que pode calmamente manobrar as suas peças sem preocupações. Isto vai-lhe sair caro, como veremos. 13.c3 bxc3 14.bxc3 Nb5 15.f4 e5 no mesmo estilo despreocupado. Cf6 impunha-se 16.f5 Nf6 17.g5 Nd7 18.0 – 0 Nb6 19.Qf2 Qd7 20.a4! o primeiro sinal de um decisivo ataque. as peças negras começam a ser empurradas para trás em toda a linha. 20...Nc7 21.a5 Nc8 22.c4 do ponto de vista estratégico, a partida está decidida. As pretas não possuem qualquer contrajogo 22...Na6 23.Qd2 mais enérgico seria 23.Bf3, seguido de Bg4 23...Bf8 o roque das negras teria emparedado o bispo para sempre depois de f6 24.f6 Rb3 25.Nc3 Qc7 26.Rfb1 Rxb1+ 27.Nxb1 Nb4 28.Nc3 a6 29.Nge2 Qd8 30.Ng3 pressão do tempo 30...h6 31.Nd5 Bxd5 32.exd5 hxg5 33.Bxg5 Na7 34.Kh2 Qc8 35.Bf1 Qg4 36.Ne4 Qf3 37.Qg2 Qxg2+ 38.Kxg2 Kd7 39.Be2 Bh6 40.Kg3 Bxg5 41.Nxg5 a posição das pretas é desesperada.As suas peças estão mal colocadas, o peão de bispo é fraco. A tentativa de o proteger com 41...Tf8, levaria a a um jogo sem prespectivas e a uma imobilização da torre.As brancas idealizariam um plano à base de Tb3, para proteger o peão d, e jogariam Bg4, seguido do avanço do peão de torre.Em resposta a 41...Re8, Romanovsky, propôs a interessante variante Tb1, seguido de Bg4 e d4 no momento apropriado. Ao tomar o peão d com o seu peão de rei, a coluna e tornar-se-ia a via de penetração perfeita para a torre branca. Apercebendo-se das dificuldades da sua posição Tranmere, decide dar o seu peão de bispo, em busca de algum contra jogo, que nunca chegará 41...Kc7 42.Rb1 Kd7 43.Bg4+ Kc7 44.Nxf7 Rf8 45.Be6 Nc8 [45...Nxd3 46.Rb6] 46.Rd1 Nc2 47.Rb1 Nb4 48.Rb3 1 – 0
RUBTSOVA, O – Karff, M
Camp.Mundial Fem.1949-50, 1949
1.e4 c5 2.Nf3 d6 3.d4 cxd4 4.Nxd4 Nf6 5.Nc3 g6 6.Be3 Bg7 7.f3 0–0 8.Qd2 Re8 lance fraco. 8...Cf6 e depois d5 ou Cxd4 para simplificar, impunha-se. 9.g4 começa um ataque forte no flanco de rei 9...Nc6 10.h4 Nd7 o medo apodera-se da campeã americana.o que se impunha para contrariar o avanço branco era 10...h5 11.h5 Nf8 12.hxg6 fxg6 13.Bc4+ e6 14.0–0–0 agora é claro que a estratégia negra foi um completo fracasso. O seu flanco de rei encontra-se debilitado e os seus peões centrais podem ser alvo de pressão 14...Ne5 15.Be2 a6 uma débil tentativa de acção no flanco de dama 16.f4 Nf7 17.f5 exf5 18.gxf5 b5 19.Rdg1 Bb7 20.fxg6 hxg6 21.Bd3 Ne5 mais resistência ofereceria 21...b4 22.Bh6 Nxd3+ 23.Qxd3 Bxh6+ 24.Rxh6 Qf6 25.Kb1 Re7 as pretas parecem ter conseguido opor uma defesa segura e evitar o perigo directo.Pura ilusão! O jogo empreendedor de Rubtsova, vai mostrar toda a fraqueza estrutural do flanco de rei negro 26.Nf5 Rh7 27.Nd5 Qe5 28.Rxh7 Kxh7 29.Qh3+ questão de opção; 29.Cde7 ameaçando mate também era possível 29...Kg8 30.Nde7+ Kf7 31.Nxg6 Qc5 32.Qg3 aqui não! Cxd6 xeque, acabava com a luta mais rapidamente 32...Ke6 33.Nf4+ Kd7 34.Rd1 Bxe4 35.Qg7+ Kc6 36.Rxd6+ Qxd6 37.Nxd6 Rd8 38.Qb7+ Kxd6 39.Qxe4 Kc7 40.c3 Rd6 41.Nd5+ Kc6 42.Nf6+ Kc5 a partida foi adiada, mas as negras abandonaram
(Comentários de Kotov e Yudovich) 1-o
Agora três partidas de Nona GAPRINDASHVILI, 2 comentadas por si no Informador Jugoslavo. Para mostrar o forte xadrez desta campeã, são três vitórias contra homens e hoje GM consagrados, como Ulf Andersson, Beliavsky e Yermolinsky.
Gaprindashvili,N - Andersson,U [B15]
Dortmund 25/205, 1978
[Gaprindashvili,N]
Chess Informant
1.e4 c6 2.d4 d5 3.Nc3 dxe4 4.Nxe4 Nf6 5.Nxf6+ exf6 6.Bc4 Qe7+ 7.Qe2 Be6 8.Bxe6 [8.Bb3!?] 8...Qxe6 9.Bf4 Na6 10.c3 [10.0–0–0 0–0–0 11.Qxe6+ fxe6 12.Ne2 Nb4 13.c3 Nd5 14.Bg3=] 10...0–0–0 11.Qxe6+ fxe6 12.Ne2 c5= 13.Be3 Bd6 14.0–0–0 Rhe8 15.Kc2 Bf8 [15...c4? 16.b3±] 16.Rhe1 b6 17.dxc5 Nxc5 18.Rxd8+ Kxd8 [18...Rxd8 19.Nf4! e5 20.Bxc5 Bxc5 (20...exf4 21.Bxf8 com a ideia de Te7 com grande vantagem) 21.Ne6! ±] 19.Nd4 a6 20.b4! Nd7 [20...Na4? 21.Kb3 b5 22.c4±] 21.a4 e5 22.Nb3 Kc7 23.Rd1 f5 24.f3 Re6 25.Nd2 Be7 [25...Rg6 26.g3] 26.Nc4 g6 27.Kb3 Bf8 28.a5 b5 29.Nb6 [29.Na3 Rd6!=] 29...Rd6 30.Rxd6 Bxd6 31.Nd5+ Kc6 32.c4! e4! 33.f4 Nf8 [33...bxc4+ 34.Kxc4 Nf8 com a idea de De6-c7=] 34.cxb5+! Kxd5?? (tempo) [34...Kxb5! 35.Nc3+ Kc6 36.Kc4 Ne6! 37.g3 (37.b5+ axb5+ 38.Nxb5 Bxf4!µ) 37...Nc7=] 35.bxa6+- Ne6 [35...Kc6 36.b5+! Kc7 37.b6+ Kc6 38.a7 Kb7 39.a6+] 36.a7 Nc7 37.b5 [37.b5 Na8 38.b6 Kc6 39.a6] 1-O
Gaprindashvili,N - Beliavsky,A [B70]
USSR 23/432, 1977
[Tukmakov,V]
Chess Informant
1.e4 c5 2.Nf3 d6 3.d4 cxd4 4.Nxd4 Nf6 5.Nc3 g6 6.Be2 Bg7 7.0–0 Nc6 8.Nb3] 8...0–0 9.Bg5 Be6 10.Kh1 N 10...a5 11.a4 Rc8 12.f4 Nb4 13.Nd4 Bc4 14.Ndb5 Qb6 15.Bh4 [15.e5 dxe5 16.fxe5 Rfd8µ] 15...Bxe2 [15...Qc5] 16.Qxe2 Qc5! 17.Rad1 Qc4! 18.Rfe1 Rfe8 [com a ideia de Ch5] 19.Qxc4 Rxc4 20.Na3 Rcc8 novamente com a ideia de Ch5!] 21.e5 dxe5 22.fxe5 Ng4 23.Bg3 Red8 [23...Nc6 24.Nc4 Nb4=] 24.h3 Nh6 25.Rxd8+ Rxd8 26.Bf2 Nf5 27.Re4! Rd2 28.Kg1 Nc6? [28...Nxc2 29.Nc4²; 28...g5! 29.Kf1! confuso (29.g4 Nh4 30.Nc4 Rxc2 31.Nxa5 Rxb2³) ] 29.g4! Nh6 único [29...Nfd4 30.Nc4 Nf3+ 31.Kg2 Nh4+ 32.Kf1+-] 30.Be3 Rd7 31.Nc4± Kf8 [31...f5 32.exf6 exf6 33.Nb5! com a ideia de Te8] 32.Nb6 Rd8 33.Nc4 (tempo) Ng8 [33...Rd7±] 34.Bb6 Ra8 [melhor 34...Rd7] 35.Nb5 Rc8 36.g5! Ra8 (tempo) 37.c3+- e6 38.Nbd6 Nge7 39.Nxb7 Nd5 40.Bc5+ Kg8 41.Bd6 1:O
Gaprindashvili,N - Yermolinsky,A [E21]
USSR 32/624, 1981
[Gaprindashvili,N; Ubilava,E]
Chess Informant
1.d4 Nf6 2.c4 e6 3.Nf3 Bb4+ 4.Nc3 0–0 5.Bg5 h6 6.Bh4 c5 7.e3 Bxc3+ 8.bxc3 d6 9.Nd2 Nbd7 10.Bd3 Qe7 11.0–0 e5 12.Rc1 b6 13.Bb1 [13.Be4] 13...Bb7 14.Re1 Rfe8 15.f3 [15.f4 exf4 16.exf4 Qf8 17.Qc2 Rxe1+ 18.Rxe1 Re8²] 15...Nf8? [15...Rad8] 16.f4! Ng6 17.Bxf6! Qxf6 18.Be4! Qe7 [18...Bxe4 19.Nxe4 Qd8 20.f5 Nf8 21.dxe5 dxe5 22.Qg4±] 19.f5 Nf8 20.f6 gxf6 21.Qf3! Rab8 [21...Bxe4 22.Nxe4 Nd7 23.Qg4+ Kh8 24.Qh3 Kh7 (24...Kg7 25.Ng3+-) 25.Qxd7! Qxd7 26.Nxf6+ Kg7 27.Nxd7 Rad8 28.Nxe5 dxe5 29.d5+-] 22.Bxb7 Rxb7 23.Ne4+- f5 24.Nxd6 Qxd6 25.Qxb7 exd4 26.exd4 Rxe1+ 27.Rxe1 cxd4 28.Qd5! Qa3 29.cxd4 Qxa2 30.Rf1 Qd2 31.Kh1 com a ideia de Df5] 31...f4 32.Qe4 Ng6 33.g3! Qb4 34.gxf4 Qxc4 35.Rg1 Kf8 36.Qa8+ Ke7 37.f5 Nh4 38.Re1+ Kf6 39.Qd8+ 1–0
Pronto, espero que tenham gostado! Já sabem como é: imprimam as partidas e reproduzam-nas no tabuleiro de preferência com peças Stauton de madeira!
Mas o artigo não acaba aqui! Porque...
Descobri coisas interessantes, mesmo muito interessantes:
B – As mulheres durante a primeira metade do século XIX, estavam proibidas de jogar xadrez em competições, ou de frequentar os clubes, os cafés, ou tavernas, onde se formaram os primeiros clubes de xadrez portanto restavam-lhes os encontros caseiros, com familiares que jogassem xadrez. A americana Amalie Paulsen (1831-1869), quase de certeza da família do grande jogador Louis Paulsen, parece ter sido uma belíssima jogadora, pois a única partida que chegou até nós, jogada com um familiar, mostra um apurado sentido táctico. Embora não haja a certeza absoluta de esta Amalie ser a irmã de Louis Paulsen, o livro «The First American Chess Congress» de 1857, relata-nos que o torneio foi visitado por uma senhora, irmã de Louis Paulsen, e mulher de um médico estabelecido em Nova Iorque, que nessa dia jogou duas partidas amigáveis, uma com um tal M.Perrin e outra com o Juiz Meek, perdendo a primeira, mas ganhando a segunda. Afirma-se ainda neste livro, que a dita senhora era sem dúvida a amadora mais forte de xadrez e, que teria lugar de primeira categoria em qualquer clube!
Vejamos pois esta partida de Amalie Paulsen, comentada por J.V.Reek:
Paulsen,W - Paulsen,A [C41]
Nassengrund , 1858
[JvR]
1.e4 e5 2.Nf3 d6 3.d4 f5?! A Defesa Philidor no seu estado mais original. 4.dxe5 fxe4 5.Ng5 d5 Philidor considerava a conquista do centro como uma vitória das negras. O contra-ataque branco é conhecido da partida fAtwood-Bruehl, Londres 1796. 6.e6! Nh6 Esta posição eramoda em 1858, devido a uma partida em consulta de Morphy. 7.f3 Wielfried joga uma recomendação de Bilguer. [7.Nc3 c6 8.Ngxe4 dxe4 9.Qh5+ g6 10.Qe5 Rg8 11.Bxh6 Bxh6 12.Rd1 (Atwood-Wilson, London 1798) 12...Qg5!? (Staunton & Owen-Morphy & Barnes, London 1958).] 7...Bc5!? 8.fxe4 0–0 9.exd5 Rf5 10.Nc3 Bb4 11.Bc4 Amalie sacrificou o centro de peões e continua a sua luta sem tréguas. 11...Qf6!? [11...Re5+ 12.Kf1 Rxg5 13.Bxg5 Qxg5] 12.Nge4?! [12.Qd2! Ng4 13.Be2! consolidava a posição.] 12...Qh4+ 13.Ng3 Re5+ 14.Be2 Nf5 Quatro peças negras estão situadas entre as linhas inimigas e preparam-se para atacar o rei. 15.Rf1? [15.Qd3 c6 16.Bd2 protégé a debilidade.] 15...Nxg3 16.Rf4?! Nxe2+! 17.Rxh4 Nxc3+ 18.Kf1 Nxd1 19.Rxb4 Bxe6?! [19...Rxd5 ganhava de forma simples.] 20.dxe6 Rxe6 21.Rd4 Ne3+ 22.Bxe3 Rxe3 23.Rd8+ Kf7 24.Rad1?! [Rellstab aconselha 24.Re1 Depois do lance da partida, as negras podem finalmente desenvolver o flanco de dama.] 24...Re8 25.R1d3 Nc6 26.R8d7+ Re7 A visão táctica de Amalie, precede o génio de Judith Polgar O:1
B- Curiosidades:
- Diz-se que a primeira referência ( pelo menos escrita) a uma mulher jogadora de xadrez, está mencionada na correspondência de Harun-Al-Rachid a Nicephorus, já que este afirma ter comprado uma escrava simplesmente pelas suas capacidades de jogar xadrez!
- Parece que o primeiro torneio feminino de xadrez foi organizado pelo Clube da Associação de Xadrez de Sussex, no ano de 1884. E em Nova Iorque funcionou um Clube de xadrez para senhoras de 1894 a 1949 !
Bem, no final do século XIX, pelo menos na Suécia já existiam clubes de xadrez femininos, como prova a foto que mando em anexo. Mas onde parece terem nascido os primeiros clubes de xadrez femininos, foi na Holanda em 1847.
- H.I.Cooke, foi a primeira autora de um livro de xadrez «The ABC Of Chess», foi editado na Inglaterra em 1860 e teve 10 edições!!
- No xadrez postal, ou de correspondência, a americana, Ellen Gilbert, ganhou ao forte jogador Gossip por duas vezes, num match internacional de correspondência jogado em 1879. diz-se ( mas não acredito) que a Senhora Gilbert, anunciou mate em 21 lances na primeira partida e em 35 lances na outra!! Convenhamos que é muito mate para uma mulher só!
- O desenvolvimento do xadrez feminino na União Soviética foi espantoso. Em 1924, o Campeonato Feminino de Leninegrado foi o primeiro a ser «sponsorizado» por qualquer estado no mundo. No Campeonato Feminino da URSS de 1936, só nas fases preliminares participaram 5.000 ( Cinco Mil!!) jogadoras!
- Frideswide F. Beechey de nascimento, mais tarde Rowland, por casamento, foi colunista e certamente a primeira compositora de problemas de xadrez. Em 1883 editou o célebre «Chess Blossoms», uma selecção de composições de Frideswide F.Beechey! Em 1884, foi co-autora do «Chess Fruits» de parceria com o marido, Thomas Rowland, também ele um excelente problemista. ( Em anexo capa e foto do livro de Frideswide)
- Por falar em composições e problemas de xadrez! Se o nome de Edith Helen Winter-Wood, nome de nascimento, certamente o nome pelo qual ficou conhecida na História do xadrez, não nos é estranho: Edith Baird (1859-1924) foi uma extraordinária problemista, e se dúvidas tivéssemos o livro publicado em 1902 em Londres com o título «Seven hundred chess problems selected from the compositions of Mrs.W.J.Baird london 1902», logo as perderíamos. De uma família de xadrezistas, quer jogadores, quer problemistas, Baird chegou a compor cerca de 2000 problemas, e, recebeu vários prémios, entre eles o The Hackney Mercury three-mover tournament de 1893, que venceu! As suas composições, não são profundas, todavia , são correctas! Até hoje só se encontraram 12 refutações aos seus problemas! Em anexo vai a capa do livro, com foto.
- Já agora: o que pensava o misógino Steinitz, das mulheres no xadrez ? Mal? Desenganem-se!
Ao comentar a decisão da Sociedade de Xadrez de Turim de aceitar «mulheres viúvas, ou filhas» de membros do Clube, a participar em torneios, Steinitz, escreveu no «International Chess Magazine», que este exemplo deveria ser seguido por outras agremiações xadrezistas. Ainda no número de Agosto de 1886, da mesma revista, pede coragem aos organizadores do próximo Congresso de Xadrez Americano, no intuito de serem admitidas mulheres no torneio
- E o que dizem eles, ou elas, das mulheres no xadrez? Coisas interessantes, arrepiantes e... cortantes!
1- Respondendo a uma questão da revista Chess de 1972/73, a já falecida jogadora e entusiasta francesa Chantal Chaude de Silans afirmou que : «as mulheres não conseguem ficar caladas durante cinco horas»-arrepiante!
2- Respondendo à mesma questão, na mesma revista o mestre Jens Enevoldsen, respondeu: «o Xadrez é uma luta, e quem quiser ganhar tem de ser agressivo. Os Homens são mais agressivos do que as mulheres» Interessante... mas e depois?
3- Botvinnik e a esposa no torneio Stauton de Groninguen em 1946, responderam: «Se as mulheres tal como os homens se dedicassem unicamente ao xadrez, seria possível comparar as capacidades masculinas e femininas no que ao xadrez diz respeito» ; «subscrevo as palavras do meu marido» Já é possível!
4- No mesmo torneio, Euwe, dá esta resposta lapidar e interessante «Porque as mulheres têm coisas mais interessantes para fazer» Podemos interpretar o significado desta frase de várias formas!
5- Ainda no mesmo torneio, o canadiano Yanofsky, num arremedo de Psicológo afirmou categoricamente:«As mulheres são demasiado emocionais para atingir o alto grau de proficiência requerido num torneio de xadrez» O problema é que muitos homens o são mais!
6- Smyslov, em Groninguen, ainda, afirmou entre o carinhoso-galã e talvez o receoso ( das futuras derrotas nos Amber Ladies-Veteranos):«Suponho que as raparigas são amorosas, mesmo sem o xadrez»
7- O grande Tartakower, também em Groninguen, segue um pouco Euwe e responde num tom estilo piropo de velho: «o Xadrez requer entre outras coisas, um elevado grau de concentração, o qual o gracioso sexo, prefere usar para outros assuntos mais importantes na vida» Será de mim, ou sinto malandrice nesta resposta?
8- A grande jogadora Jugoslava Milunka Lazarevic, em 72 , responde peremptoriamente ao jornalista: «Nós, mulheres, jogamos pior basquetebol, ténis, etc, porque temos o trabalho de trazer a este mundo todos aqueles homens inteligentes que fazem tudo melhor» Cá no Porto, diz-se desta resposta «Pega lá, que já almoçaste!». Depois a malandreca da Lazarevic, diz que nós, mulheres jogamos pior o basquetebol, o ténis e etc, que pode ser berlinde, bilhar, etc, mas não refere o xadrez! Inconsciente psicanalítico!
C- A Surpresa!
Quando dos primeiros artigos sobre o xadrez feminino no Luso Xadrez, numa pesquisa que fiz na Web, descobri que no ano 2000 na Holanda, um importante acontecimento se tinha dado, no que diz respeito à mulher e ao xadrez, ou seja , uma magnífica exposição, sobre este tema na Biblioteca Nacional da Holanda.
Efectivamente essa exposição na Koninklijke Bibliotheek, ou seja na Royal Library in the Hague, que alberga juntamente com a Cleveland Public Library, nos EUA, as maiores colecções de xadrez do mundo, ou seja, na holandesa, as colecções extraordinárias de Van der Linde e de Niemeijer, e na americana a de J.C.White, foi um autêntico sucesso. Como disse na altura não tinha grande informação, sobre a exposição, agora, numa viagem virtual até à dita biblioteca holandesa, o que descobri, foi verdadeiramente extraordinário!!
A exposição, esteve patente de 28 de Agosto a 17 de Novembro, tinha como título «Queen's Move : Women and Chess Through The Ages» e foi organizada por Remke Kruk, Yvette Nagek Seirawan,, Hans Scholten, Henriette Rerink. Livros de xadrez raríssimos do fundo da biblioteca, manuscritos raros, periódicos, gravuras, tudo abordando os diferentes sub temas:
-Xadrez e a Mulher na literatura islâmica medieval: fontes, mitos e lendas.
-Xadrez e a mulher na Idade Média Na Europa Ocidental.
-A rainha como peça de xadrez.
-Clubes de xadrez femininos.
-Origem e desenvolvimento do Campeonato Mundial feminino
-É o Xadrez um jogo para mulheres? Porque razão tão poucas o praticam?
-Xadrez e mulher na arte, na literatura, caricatura e marketing
Mas como dizia, ao visitar a biblioteca, descubro, que se pode fazer uma visita virtual abreviada à exposição, ou seja, existem arquivos áudio-visuais, e mesmo o catálogo da exposição, está à venda, por uns míseros 16 Euros. Eis senão quando depois de tanto clicar encantado, descubro que o catálogo, existe em PDF, completamente gratuito para Download!!
Então como se faz?
Podem ir ao site da Biblioteca em:
http://www.kb.nl/index-en.html cliquem em Gallery, depois em Quenn´ Move e visitem a exposição!
Para dazer o download em PDF ( Acrobat Reader) vão a:
http://www.kb.nl/webexpo/queensmove-en.html
vão fazendo clique onde aparecer book shop, depois em Exibitions Catalogues, depois em Queen´ Move , outra vez e aparecerá PDFdameaanzet.pdf- é só fazer o download!
E pronto, divirtam-se e desculpem lá a lonjura do artigo! Aturem-me! Ah! E se conheceram miúdas federadas, dêem-lhe a conhecer o artigo se quiserem, mas sobretudo o Luso xadrez!
Um abraço para todos! |
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