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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Arlindo Rodrigues Vieira Site Admin
Registo: 09 Jan 2007 Mensagens: 10
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Colocada: Sex Jan 25, 2008 2:36 Assunto: MAIS FISCHER...Se não se importam... 1 |
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Telegráfico. Uma perfeita vergonha, uma náusea aquilo que vi nos grandes sites de xadrez internacionais sobre Fischer. Um bocadinho (inho) nos noticiários portugueses, na Sky, na CNN, ainda compreendo, pela vocação, pelo ressabiado – vingança das declarações do Homem, pelo pouco, pouquíssimo valor do xadrez nesta sociedade, onde valores mais altos ( e tristes) se “alevantam”, agora em sites de xadrez, que deveriam mais do que o Homem, fazer relembrar o jogador, talvez o maior campeão de todos os tempos, fazer sobressair o único e portentoso jogador, a inigualável limpidez do seu jogo, os finais de pura filigrana, para educação das gentes do xadrez, particularmente da juventude que nele está, ou vai chegando, NADA! Fotos miseráveis para esquecer, aqui e ali umas banalidades, uns comentários apressados deste ou daquele em Chorus, quase no estilo de “pois…sabe, foi uma peninha”, ou mesmo misturando os alhos (Leonxto Garcia) ( o Fischer psicótico, neurótico, ou outro “ótico” que queiram) com os bugalhos, que foram as suas partidas magistrais e de beleza apolínea.
Mais uma vez, os amadores, tantas vezes repito isto, os AMADORES, os “necas” , os “piços”, a ralé escaquística, os “deserdados das cadeiras celestiais xadrezisticas” em todo o mundo , aqueles que na minha opinião, são a verdadeira alma do xadrez, esses não se esqueceram dele, principalmente no You Tube, com belíssimos trabalhos e homenagens. Os outros, os que pretensamente sabem, quase nada! Lamento, mas não vi uma homenagem emocionada de ninguém do topo do Xadrez Mundial, nem sequer a confissão do que as partidas deste homem lhes permitiram chegar onde chegaram, principalmente através de boas análises. Fischer, um pária, mesmo na comunidade (?) xadrezística de alto gabarito. Nem na ChessBase, nem no TWIC, nem no ChessCafe, nada, ou quase nada, e que houve de uma inépcia gritante. Uma vergonha! Talvez vá percebendo esta minha aversão cada vez maior, a um determinado mundo de Xadrez Internacional, dominado por um grupo restrito de iluminados, e sobretudo por interesses económicos inconfessáveis, no caso de alguns sites que citei, ou se quiserem, nas Gambit, ou Everyman, dos livros ao Kilo, à grama, mesmo que algumas batatinhas livrescas já venham podres de raiz, pela péssima qualidade.
Um alerta, ou uma certeza: Este silêncio, não trará escondido nada? Talvez! Esperemos um dois ou três meses e veremos os tais GM, ou MI, acoplados a estas grandes editoras, editar livros sobre Bobby Fischer, ou melhor “merda” sobre Bobby Fischer, para parolo xadrezista comprar, quando existe coisa boa, suficientemente boa de e sobre Bobby , para reeditar, ou mesmo à espera de leitura em escaparates bolorentos de livrarias alfarrabistas, ou em virtuais Amazon, Barnes, Chapitre, ou mesmo na leiloeira ebay.
Um sonho desejo: que um homem da qualidade de escrita e cultura xadrezística como Dvoretsky, Sosonko ou um Timman, escrevam “ comme il faut” uma homenagem a Fischer. Ele bem a merece, e nós também no merecimento dele.
Assim… do que me lembrei eu, um simples mortal , “piço” xadrezista assumido, e escrevinhador de memórias, afeições e “gostos discutem-se do xadrez” ? Simplesmente com vaidade de os ter, falar dos Livros de e sobre Fischer, melhor dizendo, das impressões, das sensações que os ditos me causaram e porque razão através deles, fui formando a minha imagem, a minha paixão por este fabuloso mágico das 64 casas, independentemente de um outro Fischer, algo esquizóide, sendo o mesmo e outro, me arrepiar a espinha de raiva, vergonha, como ser humano.
Assim aí vai, sem petulância, sem ordenação por interesse ou estilo, apenas listados, apenas e só para ajudar! Se alguém comprar um destes livros, está justificado o calo no dedo de tanto teclar, o cansaço ocular, a intromissão do xadrez como bálsamo, na atrofia mental em que está a cair a minha profissão do ser Professor.
Brady, Frank, Bobby Fischer, Profile of a Prodigy, Dover Publications, 1989
Apesar de aqui e ali desactualizado (Ex: aspectos agora revelados sobre Regina, sua mãe), este livro, continua impávido e sereno a ser a única biografia de categoria de Fischer. Lê-se como um romance e apesar de Brady ter conhecido e admirado o fenómeno americano, consegue um distanciamento necessário para nos dar belíssimas páginas. 26 bonitas fotos a P/B, 15 páginas de “crosstables” e 90 partidas comentadas (muito ligeiramente, nem tudo pode ser perfeito), dão a este livro o lugar que ele merece actualmente: ser a única biografia respeitada pela comunidade xadrezística. Talvez daqui a uns anos, com certo distanciamento, alguém se aventure a escrever outra, mais ampla, mais documentada, mais explícita, particularmente da vida de Bobby a partir de 1972. para esta biografia. Ah! Na Amazon uk, ou alemã, este livro tem o preço de 7 libras, ou 12 EUR, embora nos alfarrabistas europeus de confiança , ou via Alibris, ou Abebooks, se possa comprar ao preço da “uva mijona” por 1.200 mil reis (4 libras). Notação descritiva. Como o Carsten Hansen , no Checkpoint : 5 “trelinhas”
Moran, Pablo , Bobby Fischer , Su Vida Y Partidas, Coleccion Escaques, nº 37 Ediciones Martinez Roca, Barcelona, 1972
Que saudades desta colecção! Que grandes livros, pedras preciosas de Koblenz, de Muller, de Romanovsky, para não falar dos Maizeles dos Pachman e por aí fora! Muitos destes livros hoje valem bom dinheiro e este de Fischer do Moran, já o encontrei em alfarrábios espanhóis entre 50 e 80 Euros! Livro simples, despretensioso, com uma boa biografia (sintética e claramente inspirada em Brady) , tabelas classificativas, estórias sobre Fischer, e 100 partidas com comentários leves, a nível de texto e variantes. Notação descritiva. Como estou velho! Quando o Carlos Dantas, apareceu miúdito no meu FC Porto, ofereci-lhe umas peças e imaginem o quê? Este livro. Eu lembro-me, se calhar ele não! 3 trelinhas.
Edmonds, David, Eidinow, John , A Guerra de Bobby Fischer” , Temas e Debates, 2007
Já o conhecia da versão americana. Um livro interessante, abrangente , mas nada mais do que isso. Nada, ou muito pouco, traz de novo ao conhecimento de Fischer, ou aos meandros já conhecidos da Guerra – Fria, e das picardias do Match Fischer – Spassky. Lê-se bem, mas no fim, pelo preço, merecíamos dois em um, e o outro não aparece. Um livro que se não fosse escrito, não morreriam aves!
WADE, Robert G , O’Connell, Kevin, J, Todas as Partidas de Bobby Fischer (desde 1955 Hasta 1973), Bruguera Ajedrez, Editorial Bruguera, Barcelona, 1973
É a tradução espanhola do inglês “ The Games of Bobby Fischer” da Batsford. Esta versão é uma raridade e tenho a certeza que na ebay, poderia ir claramente aos 150, 200 Euros. Não sei se tem todas, todas as partidas, mas tem quase todas e as que interessam. Tenho este livro com a capa num estado miserável e escurinho de tanto o manusear, prova provada, que fui mesmo um predestinado, a “neca” do xadrez, pois tanto reproduzi as partidas do livro! E todas! Textos de Bisguier, alguma história dos Campeonatos dos EUA, um estudo de Keres, outro de Barden, um estudo do reportório de aberturas de Fischer, Indíce de aberturas, de adversários e 770 partidas, umas comentadas estilo Informador, outras com texto, tornaram este livro o ideal para uma visão global da obra genial de Fischer no tabuleiro. Foi na altura um “must” da Batsford, mas a versão espanhola que possuo, teve uma edição limitada, como limitada foi a vida da Bruguera Ajedrez. Cartonado, notação descritiva (parece que existe uma moderna versão em notação algébrica), um belo livro. Talvez só o “ Bobby Fischer: Complete Games of the American World Chess Champion” de Lou Hays, faça concorrência a Wade e Connell. Este livro praticamente só se arranja nos alfarrabistas Web e no mínimo quem quiser a versão inglesa terá de despender cerca de 20 libras! 4 “trelinhas”.
Smyslov, Tahl, Yudasin, Tukmakov, Bobby Fischer , 3 Vol , Ediciones Eseuve, 1992
Dentro do estilo de anotação, tipo Informator, (simbólica sem texto, mas imensas variantes), estes três livros são a melhor abordagem às partidas de Fischer, digamos, num estilo moderno. Os comentadores são de categoria, e não excluindo o uso de computador, convenhamos que nos anos 90, estes eram ainda “primitivos”, o trabalho feito foi um acto de energia , de amor ao xadrez de Fischer. Claro que nem todas as partidas têm o contributo de Smyslov, Tahl, Yudasyn e Tukmakov, entende-se e percebe-se que grande parte do trabalho foi realizado pela “classe operária” de Mestres e Mestres Internacionais como Cherepkov, Andreev, Lukin, Polovodin, entre outros, mas os livros são magníficos. O Volume 1 e 2 ainda se conseguem com facilidade e não muito caros em sites de xadrez espanhóis, o 3º volume, o das vitórias espantosas de Fischer de 1968 a 1972, as tais do 6:0, a Taimanov, 6:0 a Larsen , e a vitória sobre Petrosian, é impossível de encontrar . Já agora outra grande editora de xadrez espanhola que durou muito pouco, mas que enquanto viveu, deu aos leitores hispânicos livros como este, ou a trilogia de Botvinnik! Para quem gostar de livros com este estilo de notação algébrico – simbólica, uma maravilha! 5 “trelinhas”.
(continua) |
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Arlindo Rodrigues Vieira Site Admin
Registo: 09 Jan 2007 Mensagens: 10
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Colocada: Sex Jan 25, 2008 2:43 Assunto: MAIS FISCHER...Se não se Importam 2 |
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Levy, David N. L. , How Fischer Plays Chess, Collins, Glasgow and London,1975
Um belo livro cartonado, com uma viagem sobre a carreira de Bobby, com comentários mesclando as variantes e o texto explicativo. Capítulos com introdução ao Torneio, ou à caminhada de Fischer, pelo próprio Levy.Um livro não muito complexo, de leitura fácil, e aqui e ali, indo repescar comentários de Tal, Panov, Suetin, Euwe, Botvinnik, Petrosian. Algumas boas fotos, uma ou outra rara, índice de aberturas, de adversários. Notação descritiva. Este livro pode ser adquirido nos alfarrabistas Web, a partir de 4 Euros! 4 “trelinhas”
Donaldson, John, Tangborn, Eric, The Unknown Bobby Fischer, International Chess Enterprises,Seatlle, 1999
Um livro fascinante com fotografias raríssimas, não só de Fischer, mas também de jogadores conterrâneos de Fischer,( Kalme, Pupols, Ramirez, etc.) da sua Juventude. Algumas partidas publicadas pela primeira vez, principalmente de simultâneas. Para além de Fischer, este livro dá-nos uma ideia de ambiente do xadrez americano ds anos 50 e da revolução que Fischer nele introduziu. Para quem quer ir mais além das partidas conhecidas de Fischer, para quem é um “arqueólogo” fischeriano, um livro imprescindível, imperdível. Ah! Mostra que segundo os padrões actuais, Fischer não foi um menino prodígio, e que a suas ascensão foi bem “lenta” e penosa. Ah! Ainda mais: O Fischer de 53 a 57, foi de estudo, estudo, estudo, trabalho, trabalho, jogos, jogos! Notação algébrica, encontra-se esgotado e nos alfarrabistas consegue-se a partir de 14 dólares, ou a partir de 11 Euros. 4 “Trelinhas”
Mednis, Edmar, How To Beat Bobby Fischer, Bantam Chess Books, EUA, 1975
Num simples volume as 61 derrotas de Bobby Fischer, até ao Match com Spassky em 72. Curioso Livro que nunca mereceu a fúria acirrada de Fischer, Acho que até achou piada. Com introdução de Robert Byrne, aqui se encontra a única vitória do próprio Mednis, sobre Fischer no Campeonato dos EUA de 1962. Mas…não quero acreditar que o livro nascesse de uma catarse, de uma necessidade de expulsar o fantasma de Fischer na vida de Mednis ( até porque ao longo do livro, este mostra um respeito e clara compreensão da força hercúlea de Bobby), porque o resultado entre eles foi como soi dizer-se “aplastante” : 7 vitórias para Fischer , 1 empate e uma derrota .
Entre as 61 derrotas de Fischer existem três que ainda hoje me fascinam, porque uma foi com um jogador, que salvo erro na altura nem MI era, e a outra com um “Não classificado”, digamos, um jogador de 1ª categoria equatoriano, e outra com um jogador que sempre apreciei e um dos mestres da arte do xadrez. Em todas as três partidas, Fischer nem jogou mal, simplesmente, foi transbordado do tabuleiro, através de conta-ataques notáveis dos seus adversários, digamos no estilo de “ nem água bebes” : Fischer-Kovaceviv ( Rovinj Zagreb, 1970) ; Fischer – Munõz, (Ol Leipzig 1960) ; Fischer – Kholmov ( Havana, 1965). Vejam estas partidas, que não deixam de ser homenagens a Fischer!
Mas então a que conclusão chegou Mednis, sobre a forma de ganhar a Fischer? Mais ou menos do estilo irónico:
A- Não tentar surpreender Fscher com aberturas ou variantes raras ou duvidosas, porque, o génio conhecias todas, ou refutava implacavelmente no tabuleiro!
B- Não crie fraquezas estruturais na posição, para procurar compensações obscuras. Fischer aí nadará como peixe na água.
C- Jogue lances simples e nunca aqueles que sente não serem os melhores, só para complicar, porque…
D- Nunca aceite com Bobby, uma posição ligeira (issima) inferior, seja no meio-jogo ou final, para tentar resistir, porque Petrosian e Spassky também tentaram com o resultado conhecido
E- Jogue aberturas sólidas e sadias, quer de brancas, quer de negras
F- Entre uma posição estratégica bem definida, e uma táctica complicada, evite a todo o custo a estratégica. Fischer nunca gostou muito de tácticas obscuras e complexas
G- Se puder, crie posições loucas no tabuleiro, posições selvagens, porque Fischer gosta da claridade, da certeza.
Em resumo, um belo livro, com texto e variantes (não muito complexas) que aborda as possíveis fraquezas deste grande jogador. Pode-se comprar na Web por 3, 4 Euros! 4 “trelinhas”
Fischer, Bobby, My 60 Memorable Games, Faber and Faber, London, 1972
Pronto! A Jóia, o sumo, eu diria “ A PALAVRA”, o ” VERBO” e no princípio era o mesmo! Um dos livros mais extraordinários de toda a literatura do xadrez. Um modelo, inigualável ainda hoje, pelo estilo, pela verdade – honestidade, e sobretudo pela paixão nele vertida, tão diferente dos livros apressados, mal feitos, enxurradas de variantes ( que ninguém reproduz), só para mostrar que se é génio, ou o que poderia ter acontecido se, e se , e se, na tal idiota procura da verdade, como se isso existisse no xadrez de competição! Um livro claro, puro, que se lê como o mais belo romance de xadrez, que se folheia com amor, que se reproduz as partidas como se fora a primeira vez, e sobretudo com jóias de brilho e cores refulgentes. Uma maravilha de lógica, de equílibrio, de contenção de variantes e texto, quase um tratado clássico! Triliões de “trelinhas”
Peço um favor: um treinador de Xadrez que não tenha aconselhado, digo, obrigado um seu pupilo na casa dos 1700-1900 a ler este livro , “Out”, Rua, Dar volta ao bilhar grande, com ele. Um jovem jogador promissor, ou não que queira progredir, e não tenha analisado estas partidas será sempre o tal JJPQNVLN (e já nem explico o que é, porque já sabem, é …”Piço” julgando que é crack!)
Outro aviso: Há três versões deste livro que não devem tocar, por perigo de contágio, virose, ou estupidez aguda:
A – A versão da Batsford, porque quem adultera o que Fischer escreveu, coisa que o enlouquecia. A minha é original, inglesa e aprovada pelo génio, a outra é a da Simon and Schuster! Burgess, Nunn, grandes autores, aqui borraram tudo e W. Winter Mostra isso no célebre artigo (entre outros) “Fischer’s Fury”
B- Uma versão que possuo, a célebre versão Russa das 60 , que para Fischer, não foram memoráveis , mas miseráveis. Um roubo, um escândalo à soviética, sem direitos de autor, sem nada! Que tributo de amor e ódio a Fischer desta gente! ( Bem, também roubaram o livro de Larsen!” . Engraçada a Fotografia da 1ª página deste livro russo é maravilhoso e único e metafórico: Fischer um bocado esgrouviado lança para a direita um olhar furibundo, quase a dizer “ Caros senhores Soviéticos, que é esta Mer…??!”. Vá lá surripiarem a versão original da Simon and Schuster de 1969.
C- O Fischer do Hubner, da Chessbase, ( CD ROM) que é um escarro! O homem num acto de verdadeiro onanismo invejoso, faz das 60 memoráveis do Fischer, as 60 memoráveis do Hubner! Claro com computadores até dizer chega! Pateta e mariquinhas este Linguado (desculpem, ista) e esta personagem curiosa do xadrez! Pena tenho, que pertença à Sociedade Lasker! Qualquer dia Temos LASKER (“My first player”) à la Hubner!
Para o fim duas curiosidades:
Trifunovitch, Petar , Fischer-Spassky ,Campeonato Mundial de Xadrez/1972, Editorial Presença, 1973, Revisão Técnica e Comentários de João Cordovil.
Porquê? Ora essa! Repito o que disse num comentário do Blogue do Francisco Vieira ao Cordovil:
“… Mestre Cordovil, Até em pequenos pormenores mostramos a nossa imaturidade afectiva como Povo , e um deles é sermos miseravelmente desmemoriados, mal agradecidos e arrogantes quando o queremos no esquecimento! Então no Xadrez, somos muitas vezes de uma mesquinhez de esquina paroquial , de um revanchismo e sobretudo de um desamor a quem faz alguma coisa pelo xadrez, que sempre me impressionou !
talvez não o saiba, mas...se sou jogador de xadrez, a si o devo!
E devo-o, porque durante o Match Fischer-Spassky, a presença do Cordovil na RTP era obrigatória, apesar de eu mal saber mexer as peças, no meu imaginário inicial do xadrez. E era-o, porque a forma como transmitia a informação, como catalizava-cativava pedagógica e televisivamente as peripécias das partidas , era verdadeiramente emocionante! Um comunicador nato. E sem querer e sem você saber, foi o causador de me ter desinteressado dos imensos bilhares do Café Palladium, e começar a interessar-me por duas salas maravilhosas nesse mesmo Café: a sala do FCPorto e a do GXPorto. Começou aqui esta paixão sem limites, este bruxedo de Caissa que não me larga! Como vê: EU LEMBRO-ME! Mas lembro-me também de muitos das suas crónicas-comentários há poucos anos na RDP e como sempre um modelo de como comunicar xadrez radiofonicamente!
E sobretudo, tenho um pequeno livro, um dos meus Primeiros Livros de Xadrez , a par do meu "bloquinho" Xadrez Básico , que comprei enganando a minha santa mãe, pedindo-lhe dinheiro para a escola quando o era para um livro que tinha na capa " Revisão Técnica e Comentários de João Cordovil" e na contra . " A Revisão Técnica de João Cordovil confere ao Livro a garantia de uma edição cuidada"
E Tinha mesmo! O livro para o ano de 1973 era excelente e a sua revisão técnica não o é menos! Petar Trifunovitch" Fischer-Spassky-Campeonato Mundial de Xadrez 1972" da Editorial Presença. Guardo-o Tesouro precioso, e sobretudo guardo-o pela qualidade e pelas páginas 167-169, que são de um Cordovil que sei que é Cordovil e não do Cordovil estereótipo engendrado em certos salões xadrezísticos, por confusão entre o jogador competição Cordovil e um dos grandes divulgadores e homens do xadrez Português-Mestre João Cordovil.(…), este humilde "filósofo" do xadrez (o que é isso?!)tem por hábito, vocação e coração, não esquecer o que de bom se foi fazendo no xadrez português e sobretudo, saber reconhecer as pessoas que, doa a quem doer, vão ficar na História do Xadrez Português. E o Mestre Cordovil, vai ficar, aliás está, indelevelmente ligado à História do Xadrez Português e a uma parte muito boa do mesmo! (…) Mestre Cordovil, habituei-me mesmo nas conversas mais informais de Clube de Sábado de Tarde, a ter um "respeito sagrado" por alguns nomes do xadrez português, porque sei História, porque tenho memória, porque tenho valores que jamais abdicarei e sobretudo, porque não quero morrer estúpido!
Agur, Elie, Bobby Fischer, Une Étude de Son Aproche des Échecs, Grasset, 1994,
Versão Inglesa “Bobby Fischer: His Approach to Chess”, Cadogan
Caros amigos xadrezistas, um dos livros da minha vida! Dos mais belos e profundos da História da literatura no xadrez! Jamais alguém pesquisou tão fundo e tão bem os pensamentos, as forças e as fragilidades do jogo de Bobby. Este livro é uma obra- prima, uma imersão em oceano azul e límpido de um estilo, de uma paixão! Trabalho de três anos, de convívio, com Fischer, sem falar com Fischer. Trabalho com o silêncio de Fischer, no único diálogo que interessou a Agur, aqueles movimentos que definem o génio, o momento supremo da beleza, ou a fragilidade da indecisão, da inevitável impossibilidade do recuo, da acutilância da vitória, ou sabor amargo da derrota. O tabuleiro, o pensamento e o substrato de um estilo, de um plano, de uma jogada, de um conjunto de movimentos.
Desde a forma como Fischer preferia as estruturas de peões, como planeava o jogo, pelo seu gosto de colocar as peças, a estratégia, a procura de clarividência, o estilo rectilíneo e vigilante, o poder de Fischer reduzir as opções do adversário, tudo Agur estudo, com exemplos maravilhosos tirados das partidas do Campeão. Mas também, a vontade férrea de jogar para ganhar, a maneira como Fischer raramente desaproveitava as chances práticas que determinadas posições proporcionavam, as armadilhas que criava, ou a sua enorme perspicácia táctica, bem como a sua técnica e jogo com o par de Bispos, ou finais de Torre com Bispos de cor contrária, tudo é estudado por Agur. Os erros de Fischer, aqui e ali alguma superficialidade, ou mesmo o desaproveitar de algumas posições claramente ganhas, ou as gafes, também não deixam de passar no crivo de Elie Agur. É um estudo fascinante metódico, quase um tratado de xadrez a nível de meio-jogo e final, quase uma nova dimensão de escrever xadrez, sobre xadrez.
Agur, nascido em 1949, em Israel, Filósofo e jogador de xadrez de horas vagas, nem sequer era titulado quando escreveu o livro, coisa que devia ter espantado o mundo, mas não: granjeou invejas, comentários idiotas de titulados, como Silman denuncia, quando analisou pela primeira vez o livro. Foram três anos, grande parte deles em Haye, com Fischer, com partidas de Fischer, com uma reflexa filosófica, sobre a filosofia de xadrez de Fischer. O que daqui saiu é imperdível, e biblioteca de xadrez que não tenha esta obra magnífica, será antes um “caixotim” fuck you xadrezista, lamento!
Porque preferi a versão francesa? Pura e simplesmente, porque os idiotas da Cadogan, esqueceram-se de um pormenor: o livro analisa a partir de posições, mas é fascinante ir ver as partidas, para chegar a essas posições, ou mesmo ver como terminaram. A versa francesa tem as partidas completas das posições estudadas no final do livro. Nas primeiras da Cadogan, nada.
Este livro é ouro puro, que nem precisa do toque de midas do xadrezista. Lê-lo é uma dádiva!
Pronto, terminei. São estes os livros de Fischer que possuo, mas já li outros e dos que não tenho, hei-de adquirir o do Soltis “ Bobby Fischer Rediscovered” , e o Fischer-Spassky do Timman, que mereceria 50 flexões de castigo por o não ter! Esta minha humilde homenagem a Fischer, porque nestes dias ninguém falou sobre os livros de ou sobre Fischer. Espero que este assunto não morra aqui, e que outros xadrezistas, luso-xadrezistas, que tenham algum destes livros, ou outros de ou sobre Fischer, dessem as impressões sobre eles.
Se quiserem ver algumas capas destes livros que foquei, podem ir ao
http://existenteinstante.blogspot.com/
Não as coloquei aqui, porque não o sei fazer, mas se o grande Russo, quiser, que mas roube do blogue e as coloque aqui. Ah! Nestes últimos dias tenho usado as peças preferidas de Fischer, mas não as adaptadas da House of Staunton, sim as originais-réplica de Zagreb 59, Bled 61, aquelas peças que têm os bispos com carapuças de cor contrárias, os reis sem cruz ( uma bola) e uns cavalos maravilhosos. Há vídeos e fotos em que Fischer sistematicamente aparece a estudar com estas peças. Maluquices.
Um abraço Xadrezistico para todos! |
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Arlindo Rodrigues Vieira Site Admin
Registo: 09 Jan 2007 Mensagens: 10
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Colocada: Sex Jan 25, 2008 3:04 Assunto: Porque Me Esqueci... o Fischer do Kasparov |
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Claro que escrever sobre o Fischer do Kasparov dos My Great Predecessors, dava outro artigo enorme. Grande livro sem dúvida, conclusões duvidosas.
Não me perguntem porquê, mas o a "ferida narcísica" de Kasparov, falou mais alto do que o grande campeão e profundo conhecedor do xadrez e da sua história. Aqui e ali, se pegarem numa "lupa" notam quase esse desejo de "matar" não o pai, mas um pouco a lenda para o refulgir da sua.
Já agora nesta série, sem dúvida o 1º volume, principalmente o escrito sobre Lasker, não me apaixonaram por aí além, enquanto o 2º e 3º, são livros verdadeiramente extraordinários: Hinos à História do Xadrez.
o De Fischer é maravilhoso: não entendo, ninguém entende o "amor" deKasparov a Reshevsky ( tantas páginas?), com análises e comentários soberbos, todavia sobre o papel de Fischer na História do Xadrez, Kasparov, patina, ou pelo menos é demasiado acertivo para o meu gosto.
Boa Noite, que vou estando bêbado de sono. Desculpem teclerro! |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Qua Jan 30, 2008 0:56 Assunto: |
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Em 1970, Fischer disputou em Herceg Novi (ex-Jugoslávia) o campeonato não oficial de rápidas.
Conseguiu 17 vitórias, 4 empates e 1 derrota (para Korchnoy).
Ficou 4,5 pts à frente do 2º que foi...Mikhail Tal
Em qualquer um dos seus jogos, Fischer não gastou mais de...2 minutos
Após o torneio, ele reproduziu todas as 22 partidas que tinha realizado
É óbvio que a minha bibliografia sobre Fischer (e sobre tudo o mais sobre xadrez) não se compara à do Arlindo Vieira, mas talvez esses elementos lhe permitam a ele, ou a alguém mais, esclarecer-me uma questão:
Há muitos anos um amigo mostrou-me uma partida que era, para si, das melhores que já se teriam alguma vez jogado.
Lembro-me que era uma partida em que Fischer tinha as negras e, salvo erro, era uma siciliana jogada em 1967.
Tratava-se de uma partida táctica espectacular, em que dos dois lados foram deixadas peças em prise durante vários lances e em que um cavalo negro levou a devastação ao grande roque branco.
Penso que ainda terei por aí essa partida mas não a encontro.
Tentei encontrá-la na net (chessgames.com e outros) mas surgiram problemas:
Para ser uma partida em que as brancas têm grande roque, teria de ser provavelmente uma Dragão e não encontrei jogos de Fischer com essa variante, apenas encontrei com a Najdorf mas nada parecido, tipo peão envenenado e etc.
Será que alguém conhece esta partida?
Os meus agradecimentos
António Castanheira |
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lauras
Registo: 28 Mar 2008 Mensagens: 5
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Colocada: Sex Mar 28, 2008 12:28 Assunto: |
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Acaso não será a Partida Minic- Fischer de 1970 ?
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1044678
é uma siciliana de ataque de roques opostos
na minha opinião uma das mais belas partidas de fischer e da história do xadrez. |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Sex Mar 28, 2008 23:25 Assunto: |
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Exacto, é esta mesmo
Lembrava-me de 28...Ca4+...
O que complicou a minha pesquisa foi procurar 3 anos antes do tempo correcto
Quanto a mim é das mais fantásticas partidas de Fischer, bem pelo menos, será uma das mais vistosas
Obrigado pela dica  |
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