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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Mensagem |
tbp
Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 74
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Colocada: Sex Jan 18, 2008 12:26 Assunto: Bobby Fischer (1943-2008) |
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"Morreu o jogador Bobby Fischer, que se tornou no mais jovem grande-mestre da história da modalidade, quando recebeu o título em 1958, com 15 anos.
Robert James Fischer nasceu em Chicago a 9 de Março de 1943 e atraiu a atenção do público norte-americano para o xadrez, sobretudo quando ganhou o campeonato mundial de 1972, batendo o soviético Boris Spassky.
A sua morte acontece pouco antes de completar 65 anos, na Islândia, país de que se tornou cidadão em 2005. Fischer estava gravemente doente há algum tempo, conta a BBC no seu site, citando a comunicação social islandesa. Mas a causa da sua morte não é revelada.
Fischer refugiou-se na Islândia por ser procurado nos Estados Unidos, devido a ter quebrado sanções internacionais do país, por em 1992 ter jogado uma partida na ex-Jugoslávia. Obteve a nacionalidade islandesa para evitar ser deportado.
O antigo campeão também afastou muitos dos seus concidadãos americanos por ter feito declarações anti-semitas e por ter manifestado apoio aos ataques de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, em que morreram cerca de três mil pessoas devido ao embate de dois aviões nas torres gémeas do World Trade Center.
Antes de se mudar para a Islândia, Fischer viveu anonimamente no Japão durante vários anos."
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317038&idCanal=56 |
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The Turk
Registo: 24 Jul 2006 Mensagens: 83
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Colocada: Sáb Jan 19, 2008 18:52 Assunto: |
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Faleceu muito possivelmente o maior xadrezísta de todos os tempos. Aprendeu a jogar junto com a sua irmã aos seis anos de uma forma simples ao ler um folheto que vinha com o jogo e explicava como se moviam as peças. A partir daí, não prestou atenção a mais nada a não ser ás 64 casas que curiosamente marcam também o seu tempo de vida. Aos doze anos, negou-se a ir á escola apresentando á mãe os seguintes argumentos: "Prefiro ser campeão do mundo de xadrez, que um mais entre muitos com uma carreira qualquer." Bobby Fischer foi um menino prodígio com um coeficiente de inteligência de 184 (mais que Einstein), no entanto, no começo não se destacou como outros meninos prodígio: Reshevsky, Capablanca, Morphy. Os êxitos chegariam na adolescência e com quinze anos e seis meses obteve o título de grande mestre. Foi o jogador mais jovem da história a conseguir esse feito. Hoje em dia com a ajuda dos computadores que fazem de treinadores conseguiu-se baixar essa fasquia para idades inferiores e exemplo disso é Sergey Karjakin com doze anos e sete meses.
Fischer sempre demonstrou ser uma pessoa íntegra, fiel ás suas ideias. Uma delas era a sinceridade, tratava de não mentir nunca e repudiava qualquer tipo de falsidade. Uma prova disso deu-nos no principio da sua carreira, a sua mão conseguiu um contrato de quinhentos dólares para protagonizar um anúncio de pianos. No anúncio apareceria tocando piano, mas Fischer não sabia tocar e negou-se a realizar o anúncio porque não queria enganar o público. Algo parecido aconteceu pouco depois com uma marca de produtos para cabelo e mais uma vez Fischer se negou afirmando que não usava nenhum creme para cabelo pelo que não poderia aparecer a dizer que o utilizava.
Esta forma de ser deu azo a muitas anedotas. Uma delas esteve relacionada com o seu repúdio por bebidas alcoólicas. Durante o torneio de Zagreb, a organização fez o obzéquio de oferecer duas garrafas do licor da região a cada jogador. Bent Larsen estava hospedado com Fischer e foi ao seu quarto para ver como este se encontrava e o surpreendeu tentando abrir as ditas garrafas e surpreendido questionou Fischer: "Queres beber isso agora?" Ao que Fischer retorquiu: Não. O que quero é deitá-las pelo ralo do lavatório! Larsen então tentou convencê-lo a não o fazer e pelo menos que as oferecesse a um amigo seu, ao que Fischer retorquiu novamente: "Não quero ser responsável pela intoxicação de um ser humano." Fischer foi uma pessoa sempre fiel aos seus princípios até á última consequência.
"Sou meramente um homem, mas um homem extraordinário. Meu mundo é o tabuleiro branco e negro de xadrez. Nas minhas jogadas, há que ver movimento e ao mesmo tempo arte. Quem não consegue ver me dá lástima." Em outra ocasião, no dia anterior a jogar uma partida que iria ser a última do torneio, Fischer assistiu a um filme acompanhado do jornalista jugoslavo Bjelica. O filme tratava da vida do pintor holandês Van Gogh que como é sabido num acto de loucura cortou uma orelha. Quando saíram do cinema, Fischer disse ao seu acompanhante: "Se não ganho amanhã a Smyslov corto uma orelha a mim próprio.", ao que o jornalista retorquiu: Mas voçê está a falar do ex-campeão mundial Vassily Smyslov. Fischer: "Por acaso não tem desasseis peças igual a mim?"
Numa das simultâneas Fischer ganhou uma dama ao seu rival e este voltou a colocá-la no tabuleiro após Fischer passar. O jogo continuou normalmente e o homem vangloriava-se junto dos espectadores dizendo que Fischer não tinha dado conta de nada. Sete jogadas mais tarde, Fischer voltou a ganhar-lhe a dama e desta vez meteu-a no bolso e levou-a consigo sem dizer uma palavra.
Em finais dos anos sessenta Fischer chegou á jugoslávia para jogar um importante torneio e um jornalista no aeroporto perguntou-lhe: "Quem acha voçê que ganhará o torneio?" Fischer: " Voçê quer dizer quem ficará em segundo lugar.
Anedota contada por Mihail Tal: "Não muito antes do torneio de candidatos de 1959, teve lugar um episódio que diz muito acerca do carácter de Fischer. Um rico homem de negócios convidou Fischer a vê-lo. Disse que admirava o talento de Bobby e que estava disposto a pagar a viagem de Bobby á Jugoslávia. Mas com uma condição: "Quando concedas uma entrevista, quero que digas que não conseguirias ganhar o torneio sem a minha ajuda." Bobby Fischer de imediato saltou da cadeira e disse tranquilamente; "Não posso fazer isso. Se ganho um torneio, ganho-o por mim mesmo. Sou eu quem joga. Ninguém me ajuda. Ganho o torneio eu mesmo com o meu talento." Uma assombrosa resposta de um miúdo de desasseis anos!"
Anedota contada por Garry Kasparov: "Durante a olimpíada de Varna em 1962, Tal decidiu fazer uma pequena entrevista a Fischer. "A primeira questão que te colocarei é, a quem consideras o melhor jogador do mundo? Olhou-me muito surpreendiso, de modo que corrigi a pergunta: " Á parte de ti evidentemente. Fischer olhou-me atentamente e respondeu: "Bom, tu não jogas muito mal..."
Opinião de outros campeões mundiais -
Kasparov: "Fischer é o melhor xadrezísta de todos os tempos." Se perguntarmos a qualquer um na rua, é provável que oiçamos o nome de Fischer. Em 1972 Fischer converteu-se no jogador mais famoso de toda a história, a sua extraordinária e contínua capacidade de auto-superação, converteram-no numa lenda viva do xadrez. O estilo enérgico de Fischer, está marcado pelo instinto assassino no tabuleiro. De forma implacável e com uma exigência sem compromisso, melhorou as condições do jogo, a consideração social do xadrez e dos xadrezístas. Fischer modernizou na prática aspectos arcaicos do jogo, e converteu o xadrez ao profissionalismo sem ter descarrilado pelo caminho. Mas alguns demónios do seu carácter e um excessivo individualismo, acabaram por convertê-lo num eremita. O desaparecimento de Fischer de cena, foi uma grande tragédia tanto para o xadrez como para ele mesmo. Derrotou os melhores grandes mestres do mundo. Conseguiu o objectivo de toda a sua vida. Converteu-se numa lenda viva. Mas a sua última e principal batalha contra o mesmo xadrez, perdeu-a. Há-que amar algo mais para além das fronteiras da própria profissão e além do xadrez Fischer não tinha nada. O tabuleiro e as peças de madeira haviam-no conquistado por completo!
Depois de proclamar-se campeão mundial, não pode jogar mais. Esse era o perigo: Conseguiu a perfeição e uma vez conseguida, tudo o mais ficava abaixo dessa perfeição...
"O segredo dos êxitos de Fischer era evidente: Em cada partida só jogava para ganhar, era ma máquina exterminadora, o seu espírito de luta era insuperável. Apesar do seu comportamento e das voltas peculiares da sua vida, Fischer merece ser recordado pela sua imensa contribuição ao xadrez. A sua permanência no top foi desgraçadamente breve, mas brilhou acima dos seus contemporâneos. Fischer é o melhor que ocorreu ao xadrez no que se refere á promoção."
Karpov: "Fischer restaurou o xadrez agudo, tornou-o mais intransigente e levou o aspecto competitivo ao limite, porque lutava até ficar apenas com os reis no tabuleiro. Elevou o universalismo, exibindo uma assombrosa técnica na materialização de uma vantagem, e um esplêndido jogo tanto combinativo como posicional. Mas o mais característico dele foi a sua característica competitiva que o levava a explorar cada possibilidade até ao final da partida.
Anand: "O jogador mais forte de todos os tempos." Fischer foi o ídolo, a imagem, o modelo a seguir por muitas gerações, alguém a quem se queria emitar o modo de jogar, as aberturas que jogava, porque sempre se deve admirar o melhor, hoje em dia muitos jovens desfrutam dessa lenda que nos ofereceu e nos continuará a maravilhar com as suas partidas ou ao ler uma das anedotas da sua vida. Fischer desapareceu fisicamente, mas deixa-nos o que nos ensinou e o seu exemplo como jogador, alguém que não foi perfeito como pessoa na vida social, mas o profissionalismo, o desportivismo, o desejo de ser o melhor, o número um, é algo a emitar por todos os seres humanos, não importa o que faças por muito humilde que seja, o importante é ser um verdadeiro profissional, respeitar o que se faz, desfrutar do que se faz, ao final só fica o legado que se deixa á humanidade. |
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The Turk
Registo: 24 Jul 2006 Mensagens: 83
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Colocada: Sáb Jan 19, 2008 22:40 Assunto: |
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D.Byrne - Fischer, New York Rosenwald 1956
17...Be6!!
Descansa em paz Bobby, e obrigado por tantos jogos maravilhosos. |
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mind0
Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 17
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Colocada: Sáb Jan 19, 2008 22:55 Assunto: Tem que ser visto! |
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No youtube têm sido colocadas algumas homenagens a Fischer.
A maior parte das fotos e videos são eram conhecidas.
Mas este video, pelo menos para mim, é absolutamento novo e unico!
http://youtube.com/watch?v=t7JcwOJADf8 |
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The Turk
Registo: 24 Jul 2006 Mensagens: 83
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The Turk
Registo: 24 Jul 2006 Mensagens: 83
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Ruca
Registo: 02 Jan 2008 Mensagens: 15 Local/Origem: Braga
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Colocada: Seg Jan 21, 2008 18:00 Assunto: |
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Fiquei triste com esta noticia.
R.I.P. Bobby Fischer. |
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Qui Jan 24, 2008 0:26 Assunto: |
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Não está mal mas...o video do Arlindo em http://existenteinstante.blogspot.com/ está melhor...
O desaparecimento do campeão americano já originou multiplos comentários de muita gente, inclusive aqui na LusoXadrez, com dois tópicos abertos em simultâneo sobre o assunto...bem, afinal ele já era um mito (história) antes de desaparecer (notícia).
Noutros contextos semelhantes já houve quem dissesse:
"Não interessa onde se nasce mas sim onde e como se morre"
(Na medida em que esse dado seria representativo da sua obra em vida)
ou,
"A grandeza de alguém pode medir-se pelo número de pessoas que assistem ao seu funeral".
Até ao morrer Fischer tinha de ser diferente de todos os outros:
De facto, interessou muito onde ele nasceu porque só assim ele pôde representar os EUA e assumir, no confronto com Spassky, uma luta num contexto muito maior do que as dimensões de um tabuleiro de xadrez mas, de resto, quer o local, quer a forma como desapareceu, não poderiam ser mais discretas, nada representativas dos seus triunfos.
Em relação à segunda frase, também não poderia estar mais deslocada...ou melhor, talvez, mas apenas se estivermos a falar de um Fischer numa época anterior a 1972...
Relacionado com esta reflexão, aqui fica o comentário notável sobre o assunto de quem percebe imenso de xadrez, embora essa seja mais uma das realidades que o génio de Fischer decidiu ignorar:
"Fischer’s relentless energy exhausted everything it touched – the resources of the game itself, his opponents on and off the board, and, sadly, his own mind and body. While we can never entirely separate the deeds from the man, I would prefer to speak of his global achievements instead of his inner tragedies. It is with justice that he spent his final days in Iceland, the site of his greatest triumph. There he has always been loved and seen in the best possible way: as a chessplayer. - Garry Kasparov"
(o bold é meu)
António Castanheira |
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