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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Mensagem |
Pedro Rodrigues
Registo: 16 Dez 2006 Mensagens: 6
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Colocada: Ter Dez 19, 2006 0:45 Assunto: Taça de Portugal - Contra maus regulamentos, boas vitorias! |
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A Taça de Portugal é uma das provas mais emblemáticas do calendário oficial da Federação Portuguesa de Xadrez (FPX), uma vez que é a competição mais democrática da temporada: o emparceiramento é realizado por sorteio, com constrangimentos apenas nas primeiras eliminatórias e limitados à área geográfica (no início da competição as equipas do norte jogam com outras equipas da mesma zona), de maneira que uma equipa de iniciados pode ter na Taça a oportunidade, quase única, de jogar contra os mais fortes jogadores nacionais e, em alguns casos, internacionais, já que os clubes com objectivos na área da competição, que não da formação, contam nas suas equipas com Grandes Mestres Internacionais.
O sorteio da primeira eliminatória da Taça não colocou às habituais duas equipas do Vigorosa (a B constituída pelos alunos da Academia e a A pelos restantes jogadores) dificuldades inultrapassáveis, já que os nossos adversários seriam equipas que, como nós, se federaram em 2006: ditou o sorteio que a equipa A se deslocasse à sede do Moto Clube do Porto, para aí jogar com a sua equipa A, e que a equipa B recebesse o Futebol Clube Amial-Regado B.
Certo que, nos termos dos critérios regulamentares, a equipa A do Vigorosa deveria ter ficado isenta nesta eliminatória. O mesmo se diga, aliás, para todas as equipas AA e equipas únicas de clubes – cfr. alínea a) do ponto 3 do capítulo IV do Regulamento da XXIX Taça de Portugal por equipas (época 2006/2007), aprovado e publicado pela FPX.
Contudo, quer o pedido de esclarecimento inicial sobre esta matéria dirigido pelo capitão de equipa da equipa A logo após a divulgação do sorteio, quer o segundo pedido de esclarecimento efectuado após a comunicação, por parte da FPX, da constituição das equipas, não foram objecto de qualquer resposta por parte dos responsáveis federativos, o que não pode deixar de ser sintomático da forma como a FPX se relaciona com os clubes, suas equipas e respectivos praticantes.
Aventadas as possibilidades de apresentarmos um protesto formal ou, até, de não jogarmos esta primeira eliminatória, declinámos estas opções por entendermos ser desagradável para os nossos anfitriões, que nenhuma responsabilidade tinham no sucedido. Aliás, em rigor, sendo, também eles, uma equipa A, eram titulares de igual direito à isenção. Pelo que decidimos lutar pelo nosso lugar na segunda eliminatória nos tabuleiros e, ainda, no que à FPX respeita, passar a utilizar, com preterição do recurso a qualquer método alternativo de resolução de litígios, as formas procedimentais e, se necessário, processuais ao nosso dispor, pois ficou claro que os órgãos federativos só se pronunciam se tal constituir um dever seu.
Quanto ao que interessa, a equipa A foi extraordinariamente bem recebida pela sua homóloga do Moto Clube do Porto, desde logo com um cartaz afixado na via pública com os dizeres “Bem-vindo Estrela e Vigorosa Sport”!
Como às 15h00 apenas se encontrava no local de jogo o capitão da equipa A – os restantes elementos estavam atrasados -, os relógios assumiram logo o protagonismo e começaram a contar do nosso lado. E que protagonismo tiveram os relógios nesta eliminatória! Mas já lá vamos…
Enquanto aguardavam pela chegada da restante comitiva, os elementos do Moto Clube, além de uma visita guiada, ainda ofereceram um simpático cafezinho ao único adversário presente.
Entretanto chegaram os restantes três vigorosos e, após breves apresentações e cumprimentos, as partidas iniciaram-se verdadeiramente, apesar de terem já desaparecido cerca de 20 minutos nos relógios em cada tabuleiro. Na mesa 1, Ricardo Falcão jogava com o Tiago Pinho (1800), na dois o Hélder Silva defrontava Aníbal Nogueira (1840), na três o Rui Ferreira tinha como adversário o experiente Pedro Marques (ex-Cooperativa Realidade) e na quatro Carlos Ruivo enfrentava o Nuno Lima.
No primeiro tabuleiro, no jogo que se perspectivava mais desequilibrado, o Tiago ganhou desde cedo alguma superioridade espacial, fruto de um desenvolvimento receoso do seu adversário, que conseguiu traduzir, ao fim de alguns lances, no ganho de um bispo. As coisas não começavam mal, portanto!
Nas restantes mesas, as partidas estavam equilibradas, salvo o desequilíbrio temporal.
A eliminatória inclinou-se a favor do Vigorosa depois do mate de bispo que o Tiago conseguiu encontrar na primeira mesa: 1-0 para nós! Sendo que, numa competição a eliminar como esta, este resultado funcionava como critério de desempate, isto é, bastava fazer mais um ponto para garantirmos a passagem à segunda eliminatória (ficando 2-2, passava a equipa que vencesse na primeira mesa).
Contudo, esse ponto que faltava não se mostrava fácil de adquirir: na mesa dois, o Hélder, frente a um adversário bem mais cotado (1840), estava em dificuldades; na três, o Rui aguentava estoicamente a posição aguerrida do Pedro Marques; e na quatro, o Nuno Lima estava a perder um peão… Havia pois que aguardar.
Mas não muito! O Nuno Lima redimiu-se da sua última derrota na Taça AXP (por toque de telemóvel) e, apesar de ter menos material, conseguiu dar xeque-mate: 2-0 e eliminatória para o Vigorosa!
Mas não foi por a eliminatória estar perdida que o Moto Clube do Porto baixou os braços. A luta continuou forte no segundo e terceiro tabuleiro, chegando mesmo aos apuros de tempo.
E aqui aconteceu algo que demonstra a falta de experiência das duas equipas: nenhum dos jogadores tinha reparado que os relógios digitais estavam mal configurados. Em vez de estarem no modo 90m+30seg KO, para xadrez, estavam configurados para o jogo do go, com incremento não nas jogadas mas a final.
Assim, quando o adversário do Hélder esgotou os 90 minutos, o relógio “ressuscitou” e ganhou mais 5 minutos, apesar de no visor ser visível uma bandeira. O Hélder chamou a atenção do seu oponente para o facto e, após consulta ao árbitro e a outros jogadores do Moto Clube, concluiu-se pacificamente que efectivamente o tempo limite tinha sido excedido: 3-0 para o Vigorosa.
Restava apenas terminar o terceiro tabuleiro. O Rui, a perder um peão num final de damas, depois de as trocar, fica em zugzwang (esta posição caracteriza-se pelo facto de um jogador, por ser obrigado a jogar, se auto-colocar numa posição que o leva à derrota: nestes casos, o jogador preferiria “passar”, mas tal não é possível no xadrez). Ou seja, era uma questão de tempo para o Rui perder.
E duplamente! Pois o relógio dele esgotou também os 90 minutos disponíveis… mas, provavelmente por estar também mal configurado, deu um incremento de cerca de meia hora aos dois jogadores! O árbitro do encontro alertou os jogadores para o facto, que estranharam o comportamento do relógio, reputando-o de anormal. Era intenção do árbitro terminar a partida a tempo de os motards chegarem a tempo ao jantar de Natal do Moto Clube, que se realizava nessa noite, fora do Porto.
Mas o Pedro Marques, numa demonstração superior de fair play, preferiu continuar a partida, que estava ganha (um final de rei e peões contra rei e peões, com vantagem material), em vez de discutir os problemas do relógio e ganhar por tempo.
Contudo, a agitação gerada com esta situação prejudicou-lhe a concentração e ele não aproveitou a vantagem posicional em que se encontrava, errando a continuação e empatando a partida.
Resultado final: Moto Clube do Porto A – Estrela e Vigorosa Sport A 0,5-3,5.
Foi para nós um prazer jogar com o Moto Clube, onde além de termos sido muitíssimo bem recebidos, fomos presenteados com um espírito de fair-play que nem sempre se encontra nos tabuleiros.
Em consequência, ficou já apalavrado a realização de um torneio entre as nossas equipas e outras da zona oriental da cidade (Campanhã, Bonfim e Paranhos).
Não muito longe dali (a nossa sede fica a cerca de 2kms da do Moto Clube), o Estrela e Vigorosa Sport B recebia a jovem equipa do Futebol Clube Amial Regado B que alinhou com 4 jogadores da sua nova academia (abriu portas apenas há três meses). A nossa equipa alinhou com três jovens e um pai, uma vez que os restantes 3 jovens que constituem a nossa equipa B estavam indisponíveis naquela tarde. Embora se esperasse uma eliminatória muito equilibrada entre jogadores muito jovens (sub-12 a maioria), desde início que o Estrela foi conquistando alguma vantagem na primeira mesa, onde Manuel Pinho (pai de Ricardo Pinho) se foi impondo ao mais talentoso dos jogadores do Amial.
Ricardo Pinho, na segunda mesa, jogava um xadrez muito seguro e apoiado, sendo, dos presentes, o que mais tempo pensava e acabou por construir uma partida muito sólida para a sua jovem idade.
António Saraiva iniciou a partida com “a mão esquerda” e sofreu um valente susto na abertura que só não teve maiores consequências devido ao receio e inexperiência do seu adversário.
Na última mesa, Daniel Pereira jogou com Fábio Amorim a partida mais insólita, onde algumas peças eram sucessivamente abandonadas sem que fossem capturadas. Não foi preciso esperar muito para que o tabuleiro ficasse, ainda assim, rapidamente mais vazio, conduzindo a um mate de corredor por parte do jogador do Amial, sendo que o Daniel – que se juntou à nossa Academia há sensivelmente um mês - poderia fazer o mesmo na jogada seguinte.
Em desvantagem por 0-1, o Vigorosa precisava de somar pontos nas mesas restantes e não foi preciso muito tempo para, na primeira mesa, Manuel Pinho resolver a sua partida contra o já desfalcado Rui Peixoto. Com 1-1 no marcador olhava-se muito para a terceira mesa que parecia mais adiantada devido ao avançar de António Saraiva, já restabelecido do susto inicial, que o levou a materializar uma vantagem evidente, deixando o seu adversário apenas com o rei e três peões. Com a sua dama e a ajuda de uma torre que teimou em entrar em jogo, lá foi possível dar um mate daqueles que aprendeu nas suas primeiras aulas da academia.
E assim (duas vitórias, uma delas no primeiro tabuleiro) o Vigorosa garantiu a sua vitória. Imperturbável com tudo isto, mantendo sempre a sua concentração e alheio a tudo o que o rodeava, o jovem Ricardo Pinho que já tinha acabado de construir a sua estrutura defensiva, abria espaço no seu flanco de dama para atacar a adversária que, por falta de prática em partidas tão longas, respondia rapidamente e desesperava por nova oportunidade de jogar. Não foi por isso com surpresa que o Ricardo conseguiu penetrar com alguma facilidade na defesa adversária, acabando por conseguir encurralar o rei da sua opositora. Ricardo Pinho, que capitalizou nesta partida o facto de estar a jogar a fase de apuramento do Campeonato Distrital Absoluto, demonstrou que pode também aproveitar estas partidas para fazer um bom Campeonato Distrital de Jovens, que se inicia na próxima semana.
Termindas as partidas e os cumprimentos da praxe, ficou o registo do encontro das duas novas academias da freguesia de Paranhos, tendo o resultado sorrido à academia mais antiga e que assim capitalizou os seis meses de preparação que tem a mais. Ficou a intenção de se fazer novo balanço no próximo ano com moldes ainda a definir.
Aos jogadores do Futebol Clube Amial Regado e ao seu responsável, Hugo Saraiva, o nosso voto de felicidades e um agradecimento pela simpatia demonstrada.
Por fim, nesta época tão especial, não podíamos deixar de desejar a todos os envolvidos nesta competição e a todos os que acompanham a secção de xadrez do Vigorosa um Bom Natal e um 2007 cheio de Xadrez.
In "http://www.evs.pt/noticias_xadrez.shtml" |
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