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[ Lusoxadrez ] Grupo de amantes de xadrez. De uma forma civilizada trocamos as nossas opiniões, sobre livros, histórias passadas em frente ao tabuleiro (boas ou más), etc.
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Xequemate Site Admin

Registo: 27 Abr 2006 Mensagens: 259 Local/Origem: Alpiarça/Santarém
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Colocada: Seg Nov 20, 2006 21:15 Assunto: Melhor é impossível! |
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Extraordinária recolha histórica do autor da página que a seguir vos indico.
Fotos, Grelhas de Torneios, Fotos de jogadores, etc...
Certamente uma das melhores páginas sobre o xadrez dos velhos tempos !
Chamo a vossa especial atenção para a "dignidade" que tinha o xadrez noutros tempos. Todo o mundo de fato, gravata e lacinho !
Aqui fica este excelente link:
http://www.rogerpaige.me.uk/historical_photographs.htm
Como aperitivo uma grelha de torneio
Reparem no respeito com que eram tratadas as senhoras/meninas (Miss, Fraulein, etc)
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António Castanheira
Registo: 28 Abr 2006 Mensagens: 47
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Colocada: Qua Nov 29, 2006 2:34 Assunto: |
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O nosso administrador (webmaster) destaca neste post a «dignidade» que o xadrez possuia noutros tempos, pelo menos a julgar pelas fotos!
Se pensarmos bem, talvez isso não acontecesse por acaso...
Passo a transcrever um texto que escreveu Salo Flohr*, na sua qualidade de correspondente de xadrez, quando visitou o torneio «Berliner Tageblatt» que se disputou no princípio do séc.XX na cidade de Berlim:
«A minha excitação por conhecer Lasker, Capablanca, Tarrasch, Nimzovitch, Rubisntein, Marshall, etc era indiscritivel!
Dirigi-me rapidamente ao Café Konig onde imediatamente reconheci todos os heróis que conhecia de fotografias e que eram os meus ídolos enquanto jovem jogador de xadrez que era na época.
Porém, quando amanheceu, perguntava a mim próprio: Onde é que afinal fiquei hospedado?!
Com efeito, devido ao tremendo entusiasmo que sentira no dia anterior quando cheguei à cidade, a minha pulsação estava tão acelerada que imediatamente me dirigi a um qualquer quarto de hotel onde me limitei a pousar a mala e a sair disparado para o local do torneio, sem me preocupar sequer qual seria o nome do hotel nem em que rua se situava!
A polícia de Berlim ficou algo perplexa com o meu relato (eu parecia novo demais para ser demente) mas provaram a sua competência e conseguiram resolver o meu problema»
* Salo Flohr era um mestre checo que mais tarde se naturalizou soviético, venceu (a par de Botvinnik) o Torneio de Moscovo de 1935 e durante 1937 foi apontado como um dos possíveis pretendentes ao título de Alekhine.
Porque seria que os antigos jogadores de xadrez se sentiam compelidos a conferir essa tal dignidade ao jogo?
Há alguns anos, Bronstein disse acerca do xadrez «It´s only a game»...contudo, mesmo antes dele, alguém disse o seguinte slogan acerca da NBA americana «It´s more than a game!»
Possivelmente, tal como hoje se aprecia a técnica, a classe, a rapidez de execução, a eficácia do treino e todo o dinamismo e espectáculo que envolve uma partida de basquete do campeonato americano, naqueles dias o público apreciava a maestria que era desenvolvida sobre os tabuleiros de xadrez e prestava tributo aos melhores representantes da sua arte preferida.
Deste modo, não só os artistas de xadrez eram respeitados e faziam questão de se dar a esse respeito (daí a tal dignidade), mas também, nessa época e nessa zona da Europa, quem demonstrasse o seu talento numa qualquer expressão artistica (música, teatro, literatura, etc) era valorizado pela restante sociedade.
Talvez porque a arte torna as pessoas mais sensíveis ao que se passa à sua volta e talvez porque o xadrez em particular ajuda a pensar, estas não sejam actividades muito bem tratadas hoje em dia, pois quem sabe não será preferível manter a população pouco consciente do que a rodeia e sem tecer muitas conjecturas sobre isso...
Deste modo, qualquer artista hoje em dia (mesmo que bom) tem uma luta quotidiana para subsisitir e não tem tempo ou energia para procurar uma qualquer «dignidade» que não lhe enche a barriga nem é desejada pela sociedade em que se insere.
Certamente todos já sentiram as reacções que usualmente se produzem quando declaram a alguém que jogam xadrez - ou pensam que vocês se estão «a armar», ou que têm a mania que são «snobs» ou que são «freaks»!
Talvez seja também por estas razões que muitos de nós frequentemente nem se dão ao trabalho de declarar que praticam este desporto, ainda que, por ex., no meu caso concreto, as vezes (e a qualidade) com que o faço só poderiam despertar uns pálidos sorrisos se me baseasse nisso para reivindicar esse estatuto de desportista.
Contudo, ainda recentemente e aquando da participação num concurso televisivo, o «nosso» MF (e olímpico) José Pinheiro preferiu tomar a mesma opção e nada referir a respeito, mesmo quando questionado sobre se praticava algum desporto...
...e, perante o que foi dito acima, quem o pode censurar?
Se a tal dignidade não existe (cultivada a partir de dentro e imposta por fora) também deixam de existir os ídolos, os exemplos e as referências, pelo que aquilo que Flohr pôde sentir, hoje em dia praticamente não existe.
Querem uma prova? Perguntem a um jogador de 20 anos (para não ir mais longe) se identifica ou sabe reconhecer jogadores como Fernando Silva, António Antunes ou Álvaro Pereira.
Cumprimentos...e votos que todas as vossas paixões possam ser cultivadas!
António Castanheira |
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